{"id":73,"date":"2014-03-02T16:16:40","date_gmt":"2014-03-02T15:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/yannbeauvais.com\/?p=73"},"modified":"2015-01-29T21:49:50","modified_gmt":"2015-01-29T20:49:50","slug":"coisas-de-viado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/yannbeauvais.com\/?p=73","title":{"rendered":"Coisas de viado ! (Pt)"},"content":{"rendered":"<div>\n<h1><span class=\"Apple-style-span\" style=\"line-height: 24px; font-size: 14px; font-weight: normal;\">Retratos do Brasil Homossexual\u00a0: fronteiras, subjetividades e desejo \/ Hor\u00e1cio Costa &#8230; S\u00e3o Paulo\u00a0: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo\u00a0: Imprensa Oficial, 2010<\/span><\/h1>\n<\/div>\n<div>\n<p>Para falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre filmes experimentais e a cultura gay no Brasil, estarei focando este ensaio em poucos filmes. Parece que no Brasil, assim como em muitos outros pa\u00edses, o campo da produ\u00e7\u00e3o experimental no cinema tem sido desenvolvido por indiv\u00edduos que com frequ\u00eancia pensam que est\u00e3o produzindo alternativas para o cinema comercial. A pr\u00e1tica de cinema e\/ou de v\u00eddeo se tornou um ato de resist\u00eancia, assim como uma forma de produzir imagens a partir de um espa\u00e7o, que foi com frequ\u00eancia pro\u00edbido, censurado ou nem mesmo concebido.<\/p>\n<p>Neste sentido, fazer filmes experimentais nos anos 60 e 70 foi uma forma de articular diferentes tipos de pr\u00e1tica, dentre as quais foi muito importante a afirma\u00e7\u00e3o da subjetividade e do desejo, lado a lado a uma aproxima\u00e7\u00e3o anal\u00edtica ao aparato cinematogr\u00e1fico. Eu gostaria de enfatizar as poss\u00edveis correspond\u00eancias encontradas entre a pr\u00e1tica de cineastas brasileiros com a de cineastas de outras partes do mundo.<\/p>\n<p>Vale lembrar a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o cinematrogr\u00e1fica feita por cineastas gays e l\u00e9sbicas na hist\u00f3ria do cinema experimental. Se pensarmos dentro desta hist\u00f3ria, veremos a import\u00e2ncia de Jean Cocteau, Kenneth Anger, Gregory Markopoulos, e Curtis Harrington, em formar a figura do homosexual atrav\u00e9s do desejo, da ansiedade&#8230; A partir dos anos 30 e 40 o homosexual n\u00e3o \u00e9 somente uma v\u00edtima, um fora da lei, um ser menospresado. O personagem do homosexual est\u00e1 a deriva no mundo, se reflete atrav\u00e9s do filme, que se afirma como uma forma de cinema pessoal, ou mais precisamente como cinema EU. Um cinema que expressa o eu, uma express\u00e3o pesoal atrav\u00e9s da c\u00e2mera, com frequ\u00eancia mediada por um personagem vivido pelo diretor, seguindo o caminho aberto por Maya Deren com o filme\u00a0<i>Meshes of the Afternoon<\/i>\u00a0em 1943.<\/p>\n<p>Em muitos destes primeiros filmes, a afirma\u00e7\u00e3o do desejo \u00e9 condensada dentro de formas cinematogr\u00e1ficas espec\u00edficas, apesar da subvers\u00e3o da narrativa atrav\u00e9s do deslocamento, da fragmenta\u00e7\u00e3o, e da r\u00e1pida edi\u00e7\u00e3o. Este cinema est\u00e1 lidando com a ruptura e o \u00eaxtase, portanto sua forma \u00e9 mais livre, e n\u00e3o segue a narrativa can\u00f4nica. A representa\u00e7\u00e3o do desejo, sendo algo novo na tela, teve que encontrar novas solu\u00e7\u00f5es formais para se manifestar. Os filmes desses cineastas, que fazem parte da gera\u00e7\u00e3o Americana e da Europ\u00e9ia seguinte, consistem em revelar um sujeito atrav\u00e9s da busca da identidade, ou atrav\u00e9s de um ato autobiogr\u00e1fico, que ser\u00e1 compreendido por uma iconografia espec\u00edfica como a do bad boy, ou a do rebelde para Kenneth Anger. Mas a maioria deles, pelo menos at\u00e9 os final dos anos 70, n\u00e3o se posicionar\u00e1 como representante de uma minoria. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o do desejo individual e espec\u00edfico. Esse desejo e sexualidade s\u00e3o diferentes e consequentemente questionam o modelo dominante heterosexual, o que n\u00e3o significa que o cineasta representando um grupo. A partir de ent\u00e3o, essa minoria pode vir a utilizar m\u00faltiplas representa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o dispon\u00edveis e que podem ser compartilhadas\/usadas\/ e recicladas por seus membros. Nos anos 80 e 90 este fen\u00f4meno ser\u00e1 importante dentro da comuninade gay Afro-americana, por exemplo, do mesmo modo como o foi para a comunidade l\u00e9sbica nos anos 70 e 80.<\/p>\n<p>Cineastas como Jean Genet, Sidney Peterson, Donald Richie, Jack Smith, Andy Warhol, Barbara Hammer, Jane Oxenburg, Maria Klonaris and Katerina Thomadak, entre outros, v\u00e3o produzir representa\u00e7\u00f5es de acordo com diferentes estrat\u00e9gias de questionamento, n\u00e3o somente do objeto de desejo, mas tamb\u00e9m de sua tradu\u00e7\u00e3o em filme. Para mostrar a intr\u00ednseca natureza de seu objeto, os cineastas quebram a linearidade, utilizando-se n\u00e3o somente da edi\u00e7\u00e3o acelerada (como a de Gregory Markopoulos e Kenneth Anger), ou a maneira incomum de gravar uma cena atrav\u00e9s do movimento da c\u00e2mera, da sobreposi\u00e7\u00e3o, das cenas desfocadas, para transmitir uma sensualidade que o cinema tradicional n\u00e3o transmite.<\/p>\n<p>Reinvindicando uma sexualidade polim\u00f3rfica e perversa atrav\u00e9s de figuras andr\u00f3genas (Jack Smith, Werner Schroeter), ou enfatizando figuras de inoc\u00eancia infantil como retratadas por Taylor Mead, ou afirmando uma urg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do desejo como no caso de Jean Genet, Kenneth Anger, e Barbara Hammer. A variedade de abordagens \u00e9 essencial. Elas inscrevem multiplicidade no cora\u00e7\u00e3o do cinema ecoando a diversidade de desejos e pr\u00e1ticas que v\u00e3o al\u00e9m da reprodu\u00e7\u00e3o santificada. Desejo, prazer se tornam os aspectos principais para esse tipo de filmes, testando o limite daquilo que \u00e9 pos\u00edvel filmar e mostrar. Da representa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica de atos sexuais \u00e0 pornografia radical, o leque \u00e9 bastante grande e tem sido muito bem explorada j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Parece existir uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre encenar este mundo invis\u00edvel e a liberdade que cineastas experimentais desenvolvem em rela\u00e7\u00e3o ao fazer dos filmes. Uma liberdade explorada de filme \u00e0 filme, na qual a express\u00e3o pessoal e a busca pela identidade s\u00e3o os principais componentes. Se era poss\u00edvel jogar fora os c\u00f3digos de narrativa, e um cinema de conven\u00e7\u00f5es, era portanto tamb\u00e9m poss\u00edvel apresentar pessoas diferentes. Esta diferen\u00e7a seria vista de forma ultrajante, como \u2018<i>Flaming Creatures<\/i>\u2019, no caso de Jack Smith e o Andy Warhol dos anos 60 e no Brasil, nos anos 70 e 80, com H\u00e9lio Oiticica ou Jomard Muniz de Britto. Aqui a \u00eanfase \u00e9 no camp, que na cultura gay \u00e9 celebrado como forma de subvers\u00e3o da codifica\u00e7\u00e3o do papel masculino, e tamb\u00e9m como manifesta\u00e7\u00e3o do obsoleto e da est\u00e9tica ultrapassada e trash. O camp induz outra forma de codifica\u00e7\u00e3o, uma encena\u00e7\u00e3o que muitas vezes ser\u00e1 o centro do filme. Para conseguir estes resultados, cineastas ir\u00e3o insistir num aspecto ritual\u00edstico como na maquiagem, no figurino e na limpeza. Alguns exemplos podem ser encontrados em\u00a0<i>Lupe<\/i>\u00a0(1966) de Jos\u00e9 Rodriguez-Soltero, onde Mario Montez improvisou em volta da ascen\u00e7\u00e3o e queda de Lupe Velez, e se tornou uma s\u00e1tira,\u00a0<i>Flaming Creatures<\/i>\u00a0(1963) (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YrAlBrWpDSw\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YrAlBrWpDSw<\/a>)\u00a0de Jack Smith , onde o uso do batom provocou alguns momentos visuais interessantes, e\u00a0<i>My Hustler<\/i>\u00a0(1965) de Andy Warhol (extrato <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=D4e6U-TjBNg\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=D4e6U-TjBNg<\/a>)\u00a0, onde um garoto de programa loiro realiza diversas atividades, especialmente a cena no banheiro que lembra trabalhos anteriores como\u00a0<i>Haircut<\/i>\u00a0(1963). Estas atividades pareciam levar um longo tempo, ou mais precisamente, elas obedecem \u00e0 uma expans\u00e3o do tempo, o que as torna em algo especial. Parece que esta expans\u00e3o empurra a audi\u00eancia ao seu limite, tanto quanto a m\u00fasica experimental, como as de La Monte Young e Dream Syndicate 1\u00a0[<a id=\"nh1\" title=\"Neste exemplar ver Branden W. Joseph : Beyond the Dream Syndicate, Tony\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb1\" rel=\"footnote\">1<\/a>]. Este tempo expandido induz uma forma de transgress\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao cinema convencional e seu r\u00edtmo, em dire\u00e7\u00e3o a restri\u00e7\u00e3o da do narrativo criando um espa\u00e7o original para figuras singulares que por acaso s\u00e3o gays, travestis, rejeitados&#8230; O que \u00e9 exatamente o que Jack Smith estava fazendo em seus filmes, fotografias e performances, estendendo a dura\u00e7\u00e3o da avant-sc\u00e8ne, procurando entre os detritos a j\u00f3ia que o filme, a performance, far\u00e3o brilhar.<\/p>\n<p>Em\u00a0<i>Agripina \u00e9 Roma-Manhattan<\/i>\u00a0(1972), n\u00f3s estamos exatamente em uma situa\u00e7\u00e3o similar. Como H\u00e9lio Oiticica afirmou\u00a0:\u00a0<i>H\u00e1 um cineasta que quer me fazer de ator &#8211; filmes mudos underground\u00a0: \u00e9 Jack Smith, mito do underground americano, estive l\u00e1 uma vez e ele depois ficou me procurando, at\u00e9 que &#8230;<br \/>\nFui a uma proje\u00e7\u00e3o de slides com trilha sonora, uma esp\u00e9cie de quase-cinema, que foi incr\u00edvel\u00a0; Warhol aprende muito com ele, quando come\u00e7ou, e tomou certas coisas que levou a um n\u00edvel, \u00e9 claro\u00a0; Jack Smith \u00e9 uma esp\u00e9cie de Artaud do cinema, seria o modo mais objetivo de defini-lo<\/i>\u00a0[<a id=\"nh2\" title=\"2 ver H\u00e9lio Oiticica Quasi-Cinema, ed Carlos Basualdo, Wexner Center, Hatje\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb2\" rel=\"footnote\">2<\/a>]<\/p>\n<p>Pode-se encontrar nos filmes de H\u00e9lio tend\u00eancias similares como a aceita\u00e7\u00e3o da improvisa\u00e7\u00e3o e uma fascina\u00e7\u00e3o por detritos. Em seu filme, H\u00e9lio utilizou Mario Montez (aka Dolores Flores, aka Ren\u00e9 Riveira) para atuar como um tributo a figura cult de Jack Smith.<\/p>\n<p>Mario Montez e Antonio Dias est\u00e3o vagando pelo centro de Nova York, jogando dados, mas n\u00e3o est\u00e3o realizando nada. De alguma forma a performance \u00e9 improdutiva, e neste sentido ela se aproxima da est\u00e9tica de Jack Smith\u00a0[<a id=\"nh3\" title=\"Com frequ\u00eancia cr\u00edticos focam-se na natureza inacabada do trabalho para\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb3\" rel=\"footnote\">3<\/a>]\u00a0.<\/p>\n<p>O convite de Mario Montez pedia por um mundo underground e criaturas que transgredissem as regras do planeta heterosexual, produzindo novas rela\u00e7\u00f5es que gentilmente subvertem quest\u00f5es de g\u00eaneros, atrav\u00e9s de uma mistura de clich\u00eas, da jovem personagem feminina que parece uma modelo, uma noiva vermelha e um noivo gigol\u00f4, etc&#8230; Se homosexualismo \u00e9 concebido, ser\u00e1 na margem, como se por acaso. Mas de fato, assim como alguns filmes da vanguarda antecessora, mas de uma forma mais distanciada, o filme de Oiticica est\u00e1 lidando com quest\u00f5es de g\u00eanero). Tudo no filme \u00e9 teatral, cheio de artefatos e glamour barato que demonstra o aspecto do camp, e autoriza essa interpreta\u00e7\u00e3o. Neste filme, podemos dizer que a vida do homosexual \u00e9 insinuada, mas n\u00e3o monstrada abertamente. Isso facilita a vida de muitos cr\u00edticos que se recusam a falar sobre este aspecto de H\u00e9lio Oiticica, e portanto n\u00e3o far\u00e3o a conex\u00e3o entre este filme com os retratos de rapazes como na s\u00e9rie\u00a0<i>Neyr\u00f3tika<\/i>\u00a0(1973)\u00a0; como se algu\u00e9m n\u00e3o devesse mencionar este aspecto queen do artista. Esconder este lado pode ser um programa, mas de forma geral nos mostra as dificuldades de uma sociedade em rela\u00e7\u00e3o as diferen\u00e7as, e reflete uma forte homofobia. Tudo isso \u00e9 muito estranho\/esquisito\u00a0!<\/p>\n<p>Com Jomard Muniz de Britto a cena \u00e9 diferente. Seus filmes feitos em super 8\u00a0[<a id=\"nh4\" title=\"Para uma filmografia de Jomar Muniz de Britto, Margin\u00e1lia 70, O\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb4\" rel=\"footnote\">4<\/a>]\u00a0lidam em parte com assuntos gays, de uma forma mais direta. No come\u00e7o eles foram feitos com o grupo teatral de Recife\u00a0:\u00a0<i>Vivencial Diversiones<\/i>. Esses filmes compartilham muito com o teatro baseado na improvisa\u00e7\u00e3o, no\u00a0<i>happening<\/i>, e na reciclagem de objetos e personagens, seguindo a est\u00e9tica do lixo\u00a0[<a id=\"nh5\" title=\"JMBritto em Vivencial diversiones, Mem\u00f3rias da Cena Pernambucana 01, Leidson\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb5\" rel=\"footnote\">5<\/a>]\u00a0, fazendo deles parte do reino est\u00e9tico promulgado por Jack Smith entre outros. De acordo com Siv\u00e9rio Trevisan\u00a0: \u201c<i>Com Vivencial Diversiones, ser gay era um elemento inflamat\u00f3rio do elemento subversivo.<\/i>\u201d\u00a0[<a id=\"nh6\" title=\"1986, p.131 citado em Tentative Trangression Homosexuality, Aids and the\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb6\" rel=\"footnote\">6<\/a>]<\/p>\n<p>Elemento subversivo que pode ser visto nos filmes feitos por Jomard Muniz de Britto de 1974 at\u00e9 o final dos anos 70. O que est\u00e1 em quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 somente a afirma\u00e7\u00e3o da ambiguidade que subverte o papel e sua interpreta\u00e7\u00e3o dentro dos c\u00f3digos da sociedade, mas tamb\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter gay em todos os seus aspectos e variedades. Dois filmes de Jomard Muniz de Britto s\u00e3o exemplares\u00a0:\u00a0<i>Vivencial 1<\/i>\u00a0(1974 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Dnp9Y3m-yic\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Dnp9Y3m-yic<\/a>) no qual a troupe questiona o mito do andr\u00f3geno, o que \u00e9 seguido por uma esp\u00e9cie de orgia que acontece na escadaria de uma igreja. A dimens\u00e3o ritual\u00edstica, a atmosfera festiva, para n\u00e3o dizer carnavalesca, facilitam a subvers\u00e3o e a transgress\u00e3o. O uso de s\u00edmbolos religiosos e goza\u00e7\u00e3o dos representantes cat\u00f3licos evocam mais Jean Genet que o anti-catolicismo do surrealismo. Este filme retrata uma sexualidade livre, uma sexualidade flu\u00edda, a qual por n\u00e3o se atribuir \u00e0 um objeto parece ter algumas similaridades com o que promulgou em seus filmes, Jack Smith.\u00a0<i>Invent\u00e1rio de um feudalismo cultural<\/i>\u00a0(1978 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=k5bwOU2K6sM\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=k5bwOU2K6sM<\/a>), mistura elucubra\u00e7\u00f5es de um grupo de travestis evocando uma jornada pela hist\u00f3ria do Recife. As figuras flutuantes dos travestis, e do rapaz s\u00e3o essenciais para este cineasta, tanto quanto foram t\u00e3o proeminentes para Derek Jarman, ou Lionel Soukaz. Seus filmes parecem seguir uma pessoa s\u00f3, at\u00e9 encontrar outra, e assim por diante. Oscila-se antes de ir de um para o outro, enquanto o garoto se vai trepando com outro. O que est\u00e1 em quest\u00e3o aqui \u00e9 uma forma de milit\u00e2ncia pelo prazer, que significa neste caso, prazer gay e que encontramos em muitos filmes underground Europeus e Americanos das d\u00e9cadas de 60 e 70. Nesta ordem pode-se abranger os filmes de Jomard Muniz de Britto, aos do movimento\u00a0<i>hippie<\/i>\u00a0vistos nos trabalhos de Ron Rice e Saul Levine, que celebram a liberdade do sexo e das drogas.<\/p>\n<p>Se, no mundo ocidental pode-se seguir um desenvolvimento regular dentro da cena de filmes experimentais, uma gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a outra, parece que no Brasil este n\u00e3o foi exatamente o caso. A produ\u00e7\u00e3o de filmes parece ter se modificado, como citado por Arlindo Machado entre outros, de filme para v\u00eddeo bem cedo, mas conforme minhas pesquisas at\u00e9 este momento falta um peda\u00e7o desta hist\u00f3ria, n\u00e3o que n\u00e3o houvesse uma produ\u00e7\u00e3o nos anos 80, mas esta era certamente menos prevalente. O v\u00eddeo era a forma predominante j\u00e1 que estava mais dispon\u00edvel e de certa forma, mais barato que filmes.<\/p>\n<p>Rafael Fran\u00e7a foi uma figura dominante dentro da v\u00eddeo arte no Brasil, segundo Arlindo Machado\u00a0[<a id=\"nh7\" title=\"As linhas de for\u00e7a do video brasileiro in Made in Brasil, tr\u00eas d\u00e9cadas do\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb7\" rel=\"footnote\">7<\/a>]\u00a0ele teve um papel importante na jun\u00e7\u00e3o entre as artes v\u00edsuais e a arte de v\u00eddeo, mas ocupou uma posi\u00e7\u00e3o passageira. Alguns de seus trabalhos lidam diretamente com conte\u00fados gay, como\u00a0<i>O Profundo Sil\u00eancio das Coisas Mortas<\/i>\u00a0(1988) e\u00a0<i>Prel\u00fadio de uma Morte Anunciada<\/i>\u00a0(1991). Se o primeiro lida com amor e trai\u00e7\u00e3o entre dois amantes, ele \u00e9 feito de uma forma que mistura passado com presente, mem\u00f3ria com realidade. Neste sentido o v\u00eddeo est\u00e1 utilizando a possibilidade do deslocamento que a edi\u00e7\u00e3o oferece nesse meio. O seu v\u00eddeo partilha com alguns trabalhos de Gary Hill um interesse por uma estrutura de narrativa elaborada, que n\u00e3o segue uma linearidade tradicional mas que envolve quest\u00f5es sobre a semi\u00f3tica do aparato. O seu \u00faltimo trabalho lida com a questnao da Aids. Essa fita feita alguns dias antes de sua morte mostra dois corpos se acariciando (ele e seu namorado), enquanto nomes de alguns amigos (18 no total), passam sobre cenas em close das m\u00e3os, bocas, e faces dos dois amantes. Abre-se em preto e branco at\u00e9 que o texto sobrep\u00f5e-se aos corpos vestidos filmados em cor. Este filme lida com a Aids, e desta forma fala e retoma outros que lidam com o mesmo assunto. Se a propaga\u00e7\u00e3o da epidemia da Aids foi dram\u00e1tica na comunidade gay, tamb\u00e9m impulsionou uma mudan\u00e7a no fazer de filmes nos final da d\u00e9cada de 80. Primeiramente nos Estados Unidos e na Inglaterra e depois em todos os lugares com a erup\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do ativismo em torno da Aids do novo cinema gay. Para os cineastas e astistas, as quest\u00f5es eram m\u00faltiplas, por um lado ele deveria saber como produzir filmes que lutam contra a vitimiza\u00e7\u00e3o da comunidade gay, e por outro lado mostrar que ser gay nessa epidemia n\u00e3o significava a falta de prazer, de sexo. Para alguns cineastas isso significou fazer filmes lidando com quest\u00f5es que n\u00e3o eram abordadas at\u00e9 ent\u00e3o, como a etnicidade (os trabalhos de Isaac Julian, Marlon Riggs foram cruciais naquele momento tanto quanto o trabalho de Richard Fung), pornografia transg\u00eanicos, etc &#8230;\u00a0[<a id=\"nh8\" title=\"Um dos primeiros textos sobre esse assunto foi : How do I Look : Queer Film\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb8\" rel=\"footnote\">8<\/a>]<br \/>\nCineastas e artistas estavam preocupados com t\u00f3picos nos quais a quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o estava em jogo, ou seja, como acessar uma audi\u00eancia mais expandida, para poder transmitir a mensagem ou a contra-mensagem e produzir alternativas para a m\u00eddia dominante hetero. V\u00eddeo e Aids tem sido um campo f\u00e9rtil de produ\u00e7\u00e3o devido \u00e0 urg\u00eancia da crise, e porque a Aids revelou, como ainda faz, uma sociedade feita de desilus\u00e3o e tabus\u00a0[<a id=\"nh9\" title=\"Sobre Aids e v\u00eddeo ; Bill Horrigan : Notes on Aids an its Combatant in\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb9\" rel=\"footnote\">9<\/a>]\u00a0. Esta fita do Rafael Fran\u00e7a foi uma das primeiras a lidar com a Aids no Brasil (1991) de uma forma aleg\u00f3rica. Esta, mostra um amante acariciando, beijando, mas voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea o seu rosto, exceto no final, onde vemos que este personagem \u00e9 o pr\u00f3prio artista. As estrat\u00e9gias utilizadas neste v\u00eddeo s\u00e3o similares, at\u00e9 mesmo similares \u00e0 trabalhos feitos por diferentes ativistas com o prop\u00f3sito de mostrar que o afeto entre homens existe \u00e0 despeito da Aids. Neste sentido pode-se ver uma conex\u00e3o entre o trabalho de Rafael Fran\u00e7a e teses de Grand Fury, Tom Kalin, Gregg Bordowitz, e John Lindell para citar alguns. N\u00e3o \u00e9 a raiva que \u00e9 dominante, mas o afeto, que \u00e9 pr\u00f3ximo \u00e0 melancolia e a tristeza\u00a0[<a id=\"nh10\" title=\"Sobre melancolia e Aids, Douglas Crimp : Melancholia and Moralism Essays on\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb10\" rel=\"footnote\">10<\/a>]. Esta forma de melancolia, que me faz pensar em Saudade, tamb\u00e9m est\u00e1 presente em diferentes fitas de Cyriaco Lopes, ao qual iremos retornar.<\/p>\n<p>Em\u00a0<i>Paix\u00e3o Nacional<\/i>\u00a0(1994), Karim Ainouz com seu filme de 16mm sugeriu diferentes quest\u00f5es, lidando com o turismo sexual e com o fato de que para um brasileiro n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil ser reconhecido como homosexual. De certa forma o filme fala da paix\u00e3o dominando a raz\u00e3o. O filme mistura diferentes t\u00e9cnicas que se relacionam com a tradi\u00e7\u00e3o de filmes de di\u00e1rio, mas sabe-se que \u00e9 uma mera fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um document\u00e1rio, que mistura duas vozes. Uma \u00e9 a do extrangeiro fascinado pela sensualidade do Brasil, e a outra \u00e9 a do brasileiro morrendo pela hipocrisia de seu pa\u00eds. Neste sentido o filme compartilha mais com algumas das quest\u00f5es que o Novo cinema Queer estabeleceu em filmes de Tom Haynes\u00a0[<a id=\"nh11\" title=\"Poison 1991,\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb11\" rel=\"footnote\">11<\/a>]\u00a0, Gregg Araki\u00a0[<a id=\"nh12\" title=\"The Living End 1992\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb12\" rel=\"footnote\">12<\/a>], e Rose Troshe\u00a0[<a id=\"nh13\" title=\"Go Fish 1994\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb13\" rel=\"footnote\">13<\/a>]\u00a0&#8230;o que ser\u00e1 confirmado, pelo seu longa &#8211;\u00a0<i>Madame Sat\u00e3<\/i>\u00a0(2001).<\/p>\n<p>Os dois \u00faltimos artistas de que gostaria de comentar brevemente, fazem filmes\/ fitas em conjun\u00e7\u00e3o com outras pr\u00e1ticas visuais. Cyriaco Lopes come\u00e7ou seu trabalho no Rio de Janeiro mas mora nos Estados Unidos j\u00e1 faz nove anos, enquanto Edson Barrus\u00a0[<a id=\"nh14\" title=\"Sobre Edson Barrus, yann beauvais La vid\u00e9o selon Edson Barrus in Revue &amp;\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb14\" rel=\"footnote\">14<\/a>]vive entre S\u00e3o Paulo e Paris e come\u00e7ou a fazer v\u00eddeos quando morava no Rio de Janeiro no final da d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p>Em\u00a0<i>Beijos de L\u00edngua<\/i>\u00a0(2005-2006), e em\u00a0<i>Lovers and Saints<\/i>\u00a0(2007) os conte\u00fados s\u00e3o mais explicitamente gays que em outros trabalhos do artista, mas ao mesmo tempo n\u00e3o s\u00e3o travalhos ativistas. Eles abordam uma tem\u00e1tica gay entre outros assuntos. Eles inscrevem, para dizer que n\u00e3o anexam, conte\u00fado gay. Em\u00a0<i>Beijos de L\u00edngua<\/i>, as fitas feitas de frases curtas evocam situa\u00e7\u00f5es peculiares de conte\u00fado cifrado que pode ser interpretado como camp, como gay, assim como se podia encontrar em muitos filmes de Hollywood quando era pro\u00edbido\/censurado lidar com certos assuntos. Aqui encontramos uma estrat\u00e9gia similar mas com um toque po\u00e9tico. N\u00f3s falamos sobre isto sem sermos muito \u00f3bvios, insistentes, gentis e de certa forma bem quietamente. Estamos bem longe da provoca\u00e7\u00e3o dos anos 60 e 70 onde excesso era essencial. Estamos num tempo onde a homosexualidade \u00e9 aceita como uma forma de se viver, onde n\u00e3o se briga mais pela diferen\u00e7a&#8230; quest\u00e3o de cren\u00e7a. Neste trabalho, os textos s\u00e3o de fato um pretexto para outra hist\u00f3ria\u00a0: Tra\u00e7ando a genealogia da lingua portuguesa, demonstra-se como a mistura a constitui. De uma certa forma estas no\u00e7\u00f5es de h\u00edbridismo s\u00e3o tamb\u00e9m produtivas em\u00a0<i>Lovers and Saints<\/i>, no qual imagens de criminosos, homens mais procurados, s\u00e3o apresentados como amantes e santos. \u00c0 est\u00e9tica utilizada aqui nos lembra Pierre e Gilles, uma certa par\u00f3dia kitshy..<\/p>\n<p>Alguns dos trabalhos de Rafael Fran\u00e7a e Cyriaco Lopes compartilham estrat\u00e9gias est\u00e9ticas em torno da fragmenta\u00e7\u00e3o e do uso das palavras como representa\u00e7\u00e3o\u00a0[<a id=\"nh15\" title=\"Eu curei uma exposi\u00e7\u00e3o no centre Pompidou chamada Mot : dites, images,\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb15\" rel=\"footnote\">15<\/a>]\u00a0, que foram utilizadas por alguns artistas chamados p\u00f3s-modernos e em filmes e v\u00eddeos ativistas em sua maioria\u00a0; \u00e9 aqui que encontramos o gay e a Aids, no qual o uso do texto \u00e9 fator chave para a articula\u00e7\u00e3o de diferentes n\u00edveis de significado, apesar da velocidade de suas apari\u00e7\u00f5es como nos trabalhos de Tom Kalin, John Lindell, ou meus pr\u00f3prios trabalhos..<\/p>\n<p>As fitas de Edson Barrus que eu quero discutir s\u00e3o trabalhos realizados, mas pouco vistos. Parece que estes trabalhos que lidam principalmente com a reciclagem de imagens gays pornogr\u00e1ficas precisam ser feitos, mas n\u00e3o existem para serem promovidos como a maioria dos v\u00eddeos do artista. Trabalhar com imagens pornogr\u00e1ficas expl\u00edcitas sempre foi importante para a cena gay\u00a0[<a id=\"nh16\" title=\"Thomas Waugh : Hard to Imagine : Gay male Eroticism in Photography from\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb16\" rel=\"footnote\">16<\/a>]. Estes v\u00eddeos constituem um tipo de cole\u00e7\u00e3o, catalogando um cen\u00e1rio similar de sexo de diferentes filmes. Eles reconhecem a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 pornografia que de certa forma aboliu as fronteiras e est\u00e1 dispon\u00edvel \u00e0 quase todos em qualquer lugar do mundo em fitas e DVDs. O cinema n\u00e3o \u00e9 mais o \u00fanico lugar onde estes filmes s\u00e3o vistos.<\/p>\n<p>Muitos cineastas experimentais influenciaram a produ\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica nos final dos anos 60 e come\u00e7o dos anos 70 nos Estados Unidos\u00a0[<a id=\"nh17\" title=\"Ver David E. James : The Most Typical Avant-garde, History and Geography of\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb17\" rel=\"footnote\">17<\/a>], ou por fazerem filmes que beiravam a pornografia (ver os problemas ocorridos nos anos 60 e 70 com Jean Genet, Jack Smith, Kenneth Anger, ou Shuji Terayama e nos anos 80 com Lionel Soukaz\u00a0[<a id=\"nh18\" title=\"Respectivamente : Un chant d\u2019amour (1950), Flaming Creatures (1963), Scorpio\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb18\" rel=\"footnote\">18<\/a>]) ao empurrar o limte do que era aceito pela sociedade dentro da representa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, ou fazendo o que era considerado pornografia do qual\u00a0<i>Pink Narcissus<\/i>(1971 James Bidgood <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lhuOGAGmXY0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lhuOGAGmXY0<\/a>)\u00a0poderia ser um exemplo hist\u00f3rico, ou\u00a0<i>Sodom<\/i>\u00a0(1989) de Luther Price que foi recentemente re-editado para que pudesse ser mostrado com mais abrang\u00eancia\u00a0[<a id=\"nh19\" title=\"Hoje em dia este filme est\u00e1 dispon\u00edvel para aluguel e visualiza\u00e7\u00e3o no site\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb19\" rel=\"footnote\">19<\/a>]. Nos anos 80 muitos cineastas experimentais pelo mundo inteiro trabalharam com found footage\/material filmico encontrado\u00a0[<a id=\"nh20\" title=\"Em Found Footage : yann beauvais, Jean Michel bouhours, Monter Sampler,\u00a0(...)\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nb20\" rel=\"footnote\">20<\/a>]. No entando, parece normal que como um objeto as imagens pornogr\u00e1ficas tanto como a m\u00eddia, a web n\u00e3o ser\u00e1 exclu\u00edda desta apropria\u00e7\u00e3o. Muitos cineastas experimentais gays, t\u00eam desde os anos 80, inclu\u00eddo dentro de seus filmes imagens pessoais roubadas de filmes pornogr\u00e1ficos, re-filmados da televis\u00e3o ou piratiados de DVDs. \u00c0 epidemia da Aids colocou em quest\u00e3o alguns comportamentos sexuais e nota-se que assistir filmes porn\u00f4 se tornou um h\u00e1bito compartilhado por todos. N\u00e3o \u00e9 mais um comportamento escondido e encoberto.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o do f\u00f3rum gay \u00e9 o objeto do\u00a0<i>Bate Papo 22cm<\/i>\u00a0(2001) no qual a tela \u00e9 rabiscada e filmada durante uma conversa com algumas pessoas. O uso privado se torna p\u00fablico. \u00c0 exibi\u00e7\u00e3o dessa troca questiona a no\u00e7\u00e3o mesma do sexo privado e p\u00fablico. O que h\u00e1 de interesse neste v\u00eddeo \u00e9 o fato de que estamos imersos num tempo diferente, ajustando \u00e0 uma troca na qual somos somente o receptor passivo\u00a0? Mas este novo campo aberto que Lionel Soukaz explorou com um de seus videos mais recentes\u00a0:\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.webcam\/\" rel=\"nofollow external\">www.webcam<\/a><\/i>\u00a0(2005) no qual ele evoca a pr\u00e1tica do encontro contempor\u00e2neo dentro do universo gay atrav\u00e9s da imagem e da intera\u00e7\u00e3o que pela web \u00e9 sempre induzido pela imagem. Isto n\u00e3o \u00e9 sem lembrar uma das frases ditas por ele ou por Guy Hocquenghem em\u00a0<i>Race d\u2019Ep<\/i>\u00a0(1979) que a foto de um homem jovem ser\u00e1 sempre o item mais emocionante. \u00c9 sempre uma quest\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o e, mais importante, uma quest\u00e3o de como lidar com a representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outros trabalhos \u00e9 a reciclagem de imagens porn\u00f4, uma forma de apropria\u00e7\u00e3o e revisita\u00e7\u00e3o de algumas sequ\u00eancias que d\u00e3o \u00e0 estas imagens outra dimens\u00e3o. De fato os filmes que vemos feitos por Edson Barrus s\u00e3o uma re-filmagem, feita com uma camera digital pequena, ouve-se na trilha sonora a respira\u00e7\u00e3o do artista dando uma codifica\u00e7\u00e3o suplementar \u00e0 imagem. N\u00f3s assistimos n\u00e3o somente \u00e0 um filme porn\u00f4, mas somos testemunhas de uma pessoa assistindo e selecionando sequ\u00eancias e escolhendo parte das imagens para se olhar. A conjun\u00e7\u00e3o destas temporalidades \u00e9 estimulante porqu\u00ea \u00e9 reflexiva e nos coloca em outra dimens\u00e3o, incluindo nosso pr\u00f3prio olhar como uma outra camada de codifica\u00e7\u00e3o. Isso acontece nos filmes<i>\u00a0Pour homme<\/i>,\u00a0<i>Filmex<\/i>, e\u00a0<i>Xbook<\/i>feitos em 2005, ou at\u00e9 em\u00a0<i>69<\/i>\u00a0e\u00a0<i>THEND<\/i>, os dois de 2006. Muitos filmes tem lidado com imagens similares mas eles eram uma apresenta\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00e3o, como no caso de alguns de\u00a0<i>Hundred Videos<\/i>\u00a0(1992-96) de Steve Reinke, ou\u00a0<i>All You Can Eat<\/i>\u00a0(1993) de Michael Brynntrup, ou\u00a0<i>More Intimacy<\/i>\u00a0(1999) de Chen Hui Wu. A especificidade de v\u00eddeos do artista Brasileiro tem a ver com a inclus\u00e3o dele, mesmo atrav\u00e9s do som da respira\u00e7\u00e3o e do tremor da camera. Em ambos os casos o corpo do expectador\/ cineasta \u00e9 inclu\u00eddo no processo, e faz parte do que vemos. O uso privativo se torna p\u00fablico. Ele se torna parte do filme que estamos assistindo. Nos n\u00e3o estamos sosinhos\u00a0! Em\u00a0<i>Filme X,<\/i>\u00a0por exemplo, ouve-se ru\u00eddos que n\u00e3o vem dos v\u00eddeos, mas da filmagem, e \u00e9 -se transportado para outra paisagem imagin\u00e1ria, que transforma ou duplica a nossa experi\u00eancia de voyeur, e isto especialmete porque neste filme existe uma forte \u00eanfase na abstra\u00e7\u00e3o da imagem devido \u00e0 camera lenta, foco suave ou closes extremos, borrando formas e cores, algumas vezes padr\u00f5es opticos moir\u00e9 transformam os corpos.<\/p>\n<p>Com\u00a0<i>Videopunhetas<\/i>, um trabalho em andamento in\u00edciado em 2001, o artista se masturbou em frente ao monitor que esta mostrando uma masturba\u00e7\u00e3o precedente. Um trabalho em un\u00edssono\u00a0! Um pinto encarando sua pr\u00f3pria imagem. Todas estas masturba\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas para v\u00eddeos e evocam trabalhos anteriores feitos por Vito Acconci. N\u00f3s pod\u00edamos ouvi-lo, mas n\u00e3o v\u00ea-lo pois estava escondido embaixo do ch\u00e3o da galeria. Trinta anos se passaram desde a exposi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s estamos agora encarando o espet\u00e1culo da sexualidade que foi realizado para e com a assiat\u00eancia de novas ferramentas digitais. O que \u00e9 importante nesta experi\u00eancia feita por Edson Barrus, a despeito do orgasmo descrito ou n\u00e3o, \u00e9 o fato de que os filmes foram mostrados numa galeria. O deslocamento do olhar, a loca\u00e7\u00e3o onde o evento foi mostrado, transformou e colocou em quest\u00e3o este espa\u00e7o p\u00fablico, que foi invadido por partes \u00edntimas. \u00c9 um acesso diferente e maior abertura do que os oferecidos pelo papo virtual ou pelos sites como o X-tube no qual pode-se ver e compartilhar os pr\u00f3prios encontros sexuais ou masturba\u00e7\u00e3o com qualquer um procurando a fita.<\/p>\n<p>Parece que com trabalhos deste tipo, o que estava em quest\u00e3o inicialmente para a maioria dos cineastas experimentais que lidam com o cinema pessoal, era fazer imagens que afirmem a identidade do artista, seu desejo tanto como suas imagens foram democratizadas de maneira que qualquer um pudesse faz\u00ea-lo. Para a maioria dos cineastas hoje novas quest\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 acessibilidade a enorme quantidade de trabalho pruduzido v\u00e3o modificar a investiga\u00e7\u00e3o voltada ao processo de cria\u00e7\u00e3o audiovisual.<\/p>\n<p>O que ainda \u00e9 surpreendente \u00e9 o fato de que apesar da produ\u00e7\u00e3o de filmes pela ind\u00fastria que incluem conte\u00fados gay, ou at\u00e9 novelas, quest\u00f5es gays parecem com frequ\u00eancia entendidas commo de menor import\u00e2ncia, e s\u00e3o deenfazidas n\u00e3o somente pelos cr\u00edticos, mas tamb\u00e9m pelos pr\u00f3prios autores, como se fossem sempre um trabalho secund\u00e1rio. Espero que isto seja somente uma quest\u00e3o de ignor\u00e2ncia da minha parte&#8230;<\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o\u00a0: Mar\u00edlia Fernandes<br \/>\nRelectura por Cyriaco Lopes e Edson Barrus<br \/>\n<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<div id=\"nb1\">\n<p>[<a title=\"Notes 1\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh1\" rev=\"footnote\">1<\/a>]\u00a0Neste exemplar ver Branden W. Joseph\u00a0:\u00a0<i>Beyond the Dream Syndicate, Tony Conrad and the Arts after John Cage<\/i>, Zone Books, New York 2008.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb2\">\n<p>[<a title=\"Notes 2\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh2\" rev=\"footnote\">2<\/a>]\u00a02 ver\u00a0<i>H\u00e9lio Oiticica Quasi-Cinema<\/i>, ed Carlos Basualdo, Wexner Center, Hatje Cantz, publishers, 2001, e carta para Waly Salom\u00e3o, 25\/04\/71, arquivo projeto HO.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb3\">\n<p>[<a title=\"Notes 3\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh3\" rev=\"footnote\">3<\/a>]\u00a0Com frequ\u00eancia cr\u00edticos focam-se na natureza inacabada do trabalho para minimiz\u00e1-lo. Andr\u00e9 Parente\u00a0; Cinema de vanguarda cinema experimental e cinema do dispositivo em\u00a0<i>Filmes de Artista Brasil 1965-80<\/i>, curadoria de Fernado Cocciarale, Contacapa, Rio de Janeiro 2007.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb4\">\n<p>[<a title=\"Notes 4\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh4\" rev=\"footnote\">4<\/a>]\u00a0Para uma filmografia de Jomar Muniz de Britto,\u00a0<i>Margin\u00e1lia 70, O experimentalismo no Super-8 Brasileiro<\/i>, por Rubens Machado Junior, Itau Cultural 2002, para um estudo sobre ele ver\u00a0:<a href=\"http:\/\/www.yannbeauvais.fr\/article.php3?id_article=360\" rel=\"nofollow external\">http:\/\/www.yannbeauvais.fr\/article.php3?id_article=360<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb5\">\n<p>[<a title=\"Notes 5\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh5\" rev=\"footnote\">5<\/a>]\u00a0JMBritto em Vivencial diversiones,\u00a0<i>Mem\u00f3rias da Cena Pernambucana 01<\/i>, Leidson Ferraz, Rodrigo Dourado e Wellington J\u00fanior, Recife 2005, e Nos abismos da Pernacumbalia.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb6\">\n<p>[<a title=\"Notes 6\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh6\" rev=\"footnote\">6<\/a>]\u00a01986, p.131 citado em\u00a0<i>Tentative Trangression Homosexuality, Aids and the Theater in Brazil<\/i>, por Sev\u00e9rio Jo\u00e3o Medeiros Albuquerque, University of Wisconsin Press, 2004, e Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan\u00a0: Devassos no Para\u00edso 6a p 327\/29 cole\u00e7\u00e3o contraluz, edi\u00e7\u00e3o Record Rio de Jjaneiro\/S\u00e3o Paulo, 2007<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb7\">\n<p>[<a title=\"Notes 7\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh7\" rev=\"footnote\">7<\/a>]\u00a0As linhas de for\u00e7a do video brasileiro in Made in Brasil, tr\u00eas d\u00e9cadas do video brasileiro, org de Arlindo Machado, Itau Cultural, S\u00e3o Paulo 2007<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb8\">\n<p>[<a title=\"Notes 8\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh8\" rev=\"footnote\">8<\/a>]\u00a0Um dos primeiros textos sobre esse assunto foi\u00a0:\u00a0<i>How do I Look\u00a0: Queer Film and Video<\/i>, ed Bad Object- Choices, Bay Press, WA 1991, mas tamb\u00e9m\u00a0<i>Queer Looks\u00a0: Perspective on Lesbian and Gay Film<\/i>, de Martha Grever, John Greyson e Pratbha Parmar, Routledge, London 1993<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb9\">\n<p>[<a title=\"Notes 9\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh9\" rev=\"footnote\">9<\/a>]\u00a0Sobre Aids e v\u00eddeo\u00a0; Bill Horrigan\u00a0: Notes on Aids an its Combatant in Michael Renov ed.,<i>Theorizing Documentary<\/i>, New-York, Routledge, 1993 e yann beauvais De la vid\u00e9o et du Sida in\u00a0<i>Vid\u00e9o Topiques<\/i>, \u00c9d. Les Mus\u00e9es de Strasbourg \/ Paris Mus\u00e9es, 2002.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb10\">\n<p>[<a title=\"Notes 10\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh10\" rev=\"footnote\">10<\/a>]\u00a0Sobre melancolia e Aids, Douglas Crimp\u00a0:\u00a0<i>Melancholia and Moralism Essays on AIDS and Queer Politics<\/i>, MIT Press, 2002, inicialmente publicado em Outubro \u00b043,\u00a0<i>AIDS Cultural Analysis \/ Cultural Activism<\/i>\u00a0MIT press 1987 e 1988<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb11\">\n<p>[<a title=\"Notes 11\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh11\" rev=\"footnote\">11<\/a>]\u00a0Poison 1991,<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb12\">\n<p>[<a title=\"Notes 12\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh12\" rev=\"footnote\">12<\/a>]\u00a0The Living End 1992<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb13\">\n<p>[<a title=\"Notes 13\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh13\" rev=\"footnote\">13<\/a>]\u00a0Go Fish 1994<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb14\">\n<p>[<a title=\"Notes 14\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh14\" rev=\"footnote\">14<\/a>]\u00a0Sobre Edson Barrus, yann beauvais La vid\u00e9o selon Edson Barrus in\u00a0<i>Revue &amp; Corrig\u00e9e<\/i>\u00a0issues Sept 2008 n\u00b0\u00a077, e Dec 2008. Na Internet\u00a0<a href=\"http:\/\/www.yannbeauvais.fr\/article.php3?id_article=374\" rel=\"nofollow external\">http:\/\/www.yannbeauvais.fr\/article.php3?id_article=374<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb15\">\n<p>[<a title=\"Notes 15\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh15\" rev=\"footnote\">15<\/a>]\u00a0Eu curei uma exposi\u00e7\u00e3o no centre Pompidou chamada\u00a0<i>Mot\u00a0: dites, images,<\/i>\u00a0(imagens como texto em filme e v\u00eddeo), ed Scratch, Paris 1987<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb16\">\n<p>[<a title=\"Notes 16\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh16\" rev=\"footnote\">16<\/a>]\u00a0Thomas Waugh\u00a0:\u00a0<i>Hard to Imagine\u00a0: Gay male Eroticism in Photography from their Beginnings to Stonewall<\/i>, Columbia University Press, 1996, \u00e9 um estudo exemplar.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb17\">\n<p>[<a title=\"Notes 17\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh17\" rev=\"footnote\">17<\/a>]\u00a0Ver David E. James\u00a0:\u00a0<i>The Most Typical Avant-garde, History and Geography of Minor Cinema in Los Angeles<\/i>, University of California Press, Berkeley 2005<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb18\">\n<p>[<a title=\"Notes 18\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh18\" rev=\"footnote\">18<\/a>]\u00a0Respectivamente\u00a0:\u00a0<i>Un chant d\u2019amour<\/i>\u00a0(1950),\u00a0<i>Flaming Creatures<\/i>\u00a0(1963),\u00a0<i>Scorpio Rising<\/i>\u00a0(1964),<i>L\u2019empereur Tomato Ketchup<\/i>\u00a0(1971),\u00a0<i>Ixe<\/i>\u00a0(1980).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb19\">\n<p>[<a title=\"Notes 19\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh19\" rev=\"footnote\">19<\/a>]\u00a0Hoje em dia este filme est\u00e1 dispon\u00edvel para aluguel e visualiza\u00e7\u00e3o no site Light Cone. Este \u00faltimo filme lida de forma geral com a reciclagem de filmes gay hardcore de uma forma que se aproxima \u00e0lgumas estrat\u00e9gias instauradas pela Boston college of arts na d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb20\">\n<p>[<a title=\"Notes 20\" href=\"https:\/\/yannbeauvais.com\/archives\/spip.php?article546#nh20\" rev=\"footnote\">20<\/a>]\u00a0Em Found Footage\u00a0: yann beauvais, Jean Michel bouhours,\u00a0<i>Monter Sampler<\/i>, centre Pompidou Paris 2000\u00a0; Eugenie Bonnet\u00a0:\u00a0<i>Desmontaje, Film, video \/apropriacion, reciclaje<\/i>, Ivam Valencia, 1993\u00a0; James Paterson\u00a0:\u00a0<i>Dreams of Chaos\u00a0: Understanding the American Avant-garde Cinema<\/i>, Wayne Sate University, Detroit 1993\u00a0; William Wees\u00a0:\u00a0<i>Recycled Images The Art and Politics of Found Footage<\/i>, NY Anthology Film Archives, 1993<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retratos do Brasil Homossexual\u00a0: fronteiras, subjetividades e desejo \/ Hor\u00e1cio Costa &#8230; S\u00e3o Paulo\u00a0: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo\u00a0: Imprensa Oficial, 2010 Para falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre filmes experimentais e a cultura gay no Brasil, estarei focando este ensaio em poucos filmes. Parece que no Brasil, assim como em muitos outros pa\u00edses, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[6,8],"tags":[95,41,60,137],"class_list":["post-73","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ecrits","category-essais","tag-activism","tag-aids","tag-gay","tag-super"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=73"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1137,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73\/revisions\/1137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=73"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=73"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/yannbeauvais.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=73"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}