Archives de catégorie : Films

d’un couvre-feu

Ce film travaille à partir de quelques éléments glanés ici et là pendant ce mois de novembre 2005. Il s’agissait de s’approprier et de redistribuer quelques séquences, en les recadrant lors de leurs capture autant que lors du montage afin de les redonner à voir ou à revoir. Des rythmes du rap et de funk des favelas de Rio permettent de situer autrement ces images en les inscrivants comme des sons de noirs, autant que comme sons de banlieues ou de favelas. Ces musiques écrasent le comment taire officiel des bandes d’actualités, elles permettent d’envisager d’autres lignes de fuite que les émeutiers ont su manifesté en se jouant du colonisateur blanc.

bus

En novembre, à la suite de l’électrocution de deux adolescents dans un transformateur EDF, alors qu’ils tentaient de fuir la police qui les poursuivait, des émeutes éclatèrent dans de nombreuses banlieues françaises. Du jour au lendemain les jeunes des banlieues occupent un espace politique et forcent ainsi l’attention des médias.
On constate que les émeutes dévoilent avec éclat l’aveuglement sidérant de la société française vis-à-vis du racisme inhérent de sa pensée universalisante qui disqualifie toutes différences au profit d’un intégrationisme abreuvé de colonialisme.
L’aveuglement de la société et que révélèrent les émeutes se ressent dans les lois d’exceptions mises en place par un gouvernement néo-libéral qui justifiait la déferlante répressive autant que dans l’assentiment d’une majorité de citoyens quant à l’application de ses lois. La reprise de la loi instaurant l’état d’urgence de 1955, ne manquait pas de souligner la permanence refoulée de la guerre d’Algérie. On aurait pas pu imaginer meilleur moyen pour perpétuer l’exclusion, sauf à faire appel aux services de nettoyage du ministre de l’intérieur qui piaffe d’impatience d’user de ses Kärcher.

http://www.ubu.com/film/beauvais_duncouvrefeu.html

This film is based on several sequences recorded here and there last November, 2005. What was at stake was to redistribute these sequences by reframing while re-shooting them and by editing in such way as to see again or differently those sequences. Rap beats as much as Rio’s favella funk , contribute to give another environment to these by affirming the fact that there are sound produced by blacks, as much as sounds made in the suburb and in the favelas. These songs smash through the official voiceover of the news, they permit us to consider other points of view that the rioters had already shown in questioning the white colonizer.

In November, following the electrocution of two teenagers in a power substation, while they tried get away from the cops, riots broke out in many French suburbs. Each of those days, young people of the suburbs occupied a political space, forcing the attention of the media.

People frequently realized that the riots revealed the glaring blindness of French society with respect to the inherent racism of its universalizing thought which disqualifies all differences in favor of an integrationism strongly tinged by colonialism. The blindness of society that the riots revealed, was felt in the laws of the “State of Exception” established by a neo-liberal government which was enough to justify the wave of repression for the majority of the citizens of France. The reinstatement of the law establishing the state of emergency of1955, underscored the enduring though repressed presence of the War in Algeria. One could not have imagined a better means of perpetuating exclusion, except to call upon the special clean-up squad of the Minister of Interior, eager to deploy the tools of its trade.

en joue
http://www.ubu.com/film/beauvais_duncouvrefeu.html

A s batidas do rap, tanto quanto o funk das favelas do Rio de Janeiro contribuem para dar um outro ambiente para estes lugares, afirmando o fato de que há som produzido por negros, assim como som feitos no subúrbio e nas favelas. Essa canções esmagam através da narração oficial da notícia, elas permitem-nos considerar outros pontos de vista que os manifestantes já haviam mostrado no questionamento do colonizador branco.  Food footage das motins nas suburbia de Paris em Novembro 2005.

Toque de alerta

http://bcubico.com/dun-couvre-feu-legendas/

A indiscernibilidade entre arte e acontecimento está na trama de d’Un couvre feu, 2005, de yann beauvais, cineasta experimental que aborda aí o video, e também a televisão e arquivos da internet, criticando os mediums de dentro, mas em um desvio extradisciplinar rumo a um pensamento da métropole contemporânea. A atenção aos ruídos do mundo é a marca desse artista. O vídeo, cuja operação principal beauvais vai nomear como monter/sampler, retoma, reenquadra e busca desestabilizar o sentido da informação disseminada em diversos circuitos, em torno dos distúrbios de jovens nas periferias de Paris, em outubro de 2005. Ao retrabalhar em sampling o material filmado diretamente do monitor de tv por Edson Barrus, mixando-o a imagens da internet, beauvais extrai o máximo de possibilidades da sua estratégia de resistência à indústria cultural:

Restos de uma indústria que se recicla, a imagem cinematográfica – mas deveríamos dizer a imagem em movimento em seu conjunto – chega a um paroxismo de ubiquidade e de consumo, índices de uma sociedade espetacular. A imagem, como a matéria e a energia, entra em um ciclo infinito de recuperação-transformação-difusão.[1]

Compreendendo a criação como ‘coleção, destruição e reconstrução, recriação’, beauvais insiste em que ‘toda fonte visual, sonora ou musical é hoje reciclável’. Ele escreve, com Bouhours: ‘Sob a noção de recuperação, aflora uma tipologia de processo da imagem, de détournement, estoque, remix, reapropriação.’[2] Em sua pesquisa, yann beauvais interroga ao mesmo tempo o filme, o vídeo e a televisão enquanto veículo de enunciação. As práticas auto-críticas do cinema experimental são deslocadas para o campo das novas medias, assumindo um domínio de problemas advindos do uso da tecnologia:

Na era do numérico, a desmaterialização dos suportes, a ausência de perda de qualidade entre o original e cópia poem em crise seu estatuto respectivo. (…) Através dos instrumentos de reprodução e difusão surgem zonas de livre troca, que escapam por um momento às leis da performance econômica.[3]

A estratégia fílmica de Barrus que detona o processo de d’Un couvre feu é esboçada em seus Documentos (registros singulares da informação multi-mediática que envolve a vida nas métropoles globais). Ao assumir a reciclagem de modo enfático, essa série de vídeos reescreve o numérico, confrontando criticamente as novas modalidades de extração da imagem com as táticas do filme estrutural dos anos 1960 – a não-linearidade discursiva, o caráter processual, a anti-montagem. A tecnologia do vídeo é investigada por Barrus em seus parâmetros sonoros e visuais, de mesmo modo que em sua temporalidade, como no curtíssimo Página Virada (2006), espécie de homenagem a Yasser Arafat, então recém-desaparecido. O vídeo dura um sopro, o tempo exato em que a página do Le Monde com a imagem do grande líder palestino estampada leva para ser virada pelo leitor. Montagem=Sampleagem=Captura.

A impureza e o caráter direto dos Documentos, em que os trechos captados não recebem tratamento posterior, mas o ritmo é definido no próprio processo de filmagem, trazem a vibração do dispositivo metropolitano – que ressurge ‘inatualizado’. Como oberva beauvais, a refilmagem ‘torna claros alguns mecanismos de assujeitamento a que nos dobramos quando vemos o acontecimento difundido por nossas telas catódicas’.[4] A câmera de Barrus traz indícios do lance da captura, suspensos em atraso: a respiração, a sombra, as hesitações de seu corpo marcam a imagem, de mesmo modo que o jogo deliberado dos reenquadramentos. No caso de Barrus, ‘é a resposta com relação ao lance direto que constitui e motiva a apropriação ao vivo e, por consequência, o détournement’[5]. A difusão de tv, nos Documentos, é ainda transformada pela textura intensa, a explosão dos píxeis, os moirés multicores que podem invadir parte da tela, traços dos deslocamentos de mediums. ‘Não se trata sem dúvida da mesma espetacularização – escreve o cineasta francês, recusando uma assimilação historicista do monter-sampler – nós não estamos em um néo-situacionismo, mas em uma outra operação, que visa dispor dos elementos audio-visuais afim de pensar.’[6] Para ambos os artistas, a proliferação implicada no procedimento de samplear promove um tipo de distância que evidencia a fabricação da imagem, seu aspecto não-verossímel.

Em d’Un couvre feu, a captura de Barrus ela mesma deflagraria a operação crítica desdobrada em complexidade por beauvais em sua montagem-sampleagem: a filmagem direta da tela de tv sublinha o ‘tratamento’ ideológico do acontecimento – em um ‘no comment’ que traduz a imediaticidade de sua intervenção. Já beauvais investigará, em sua proposta de sampling, outros canais de informação, buscando arquivos de imagens que seriam posteriormente reciclados. Nesse desdobramento de autorias cada vez mais provisórias, é gerado um ready-made de segundo, n graus, e configuram-se desvios, dissociações e interrupções da estrutura som/imagem. Jogando com mais um clichê das periferias globais, beauvais toma emprestado o batidão ‘Som de preto’[7] das nossas comunidades, dando outra dinâmica às ações dos jovens discriminados em Paris. O funk brasileiro reenquadra o caos e o abandono da periferia parisiense, redesenha as imagens dos ônibus incendiados, grita por sobre as vozes brandas dos debates televisivos. d’Un couvre feu ressalta o aspecto caótico das métropoles cognitivas, manifestando a articulação poético-política de um dispositivo em aceleração crítica.

Cecilia Cotrim, outubro de 2009.

in Querer a multidão: arte contemporânea e dispositivo metrópole de Cecilia Cotrim  no VII Fórum Brasília de Artes Visuais Arte e arquitetura: balanço e novas direções

[1] yann beauvais, Jean-Michel Bouhours, ‘La propriété, c’est le vol’. In Monter Sampler, Paris, Centre Georges Pompidou, 2000, p. 18.

[2] Idem.

[3] In ibid, p. 20.

[4] yann beauvais ‘La vidéo selon Edson Barrus’. in Revue & Corrigée nº 78, dez. 2008.

[5] Idem.

[6] In ibid.

[7] funk de Amilcka e Chocolate.   

Palestine libre

Une manifestation contre la venue du président américain G.W Bush (junior) en France s’est transformée en manifestation de solidarité avec la Palestine. A Paris en 2004

A demonstration against the European tour made by Georges W. Bush (junior) became rally for Palestine cause. Paris 2004.

Pain Bagna

 coréalisé avec Edson Barrus

Des films de famille 16mm des années 70 sur la côte d’Azur, re-filmés en numérique lors de leurs projections.
Le montage fait dans à la caméra par un cinéaste anonyme n’est pas plus élaboré que la succession des plans composant chaque bobine, dans lequel on ressent ce désir de bien faire, du film.
Le léger ralentissement lors de la projection, conjugué au recadrage de l’image, la transforme en un enregistrement souligné par l’utilisation de l’appareil photo numérique.
Un montage secondaire a été effectué afin d’induire d’autres rythmes de ces représentations d’un autre temps dont la seule trace serait ces quelques images vacillantes aux filages irréguliers, aux grains ténus, fortement marquée par un amateurisme sans qualité.
On souhaitait retrouver à la projection la pratique de l’enregistrement.

Film based on 16mm found footage from the 70’s. They were diary films made on the French Riviera, which we refilmed while screening with a digital caméra. 

The editing made by the anonymous filmmaker reflects the shooting. The slow motion due to the screening projection speed we choose and the reframing reshaped the document.
During the projection we were making new editing while shooting.

Köprü Sogaki

co-réalisé avec Edson Barrus

Un voyage à travers la Cappadoce, au printemps dernier. Les strates des paysages et les couches souterraines façonnent la perception de l’environnement. Captures multiples de photos et de séquences au moyen d’un téléphone portable et d’une caméra. Toutes ces strates géologiques visibles et souterraines sont actualisées au montage, lequel multiplie les surimpressions en fonction des textures, matières, ou accidents. Les processus de montage désorientent l’œil et l’oreille. Rencontres fortuites.

made with Edson Barrus 2009, miniDV,color, sound, 32’40

A trip through Cappadocia, last spring. Landscapes stratas and the underground layers build up our perception of the surrounding. Photos andfilms sequences were taken with a cell phone and a digital camera. All those visibles geological stratas are brought up through editing, which multiplies the overlaps according to texture, matter and coincidence. The editing process disrorient the eye and the ear.

Köpru Sokagi 1

affection exonérante

Fr, En, Pt

L’affection est à la fois source de vie et de destruction. La lumière pulse l’énergie colorée et nous entraîne au loin. on est dans la matière et dans lumière.

Filmé avec un portable.

Affection, which can destroy, can also produce solace. The intense brightness (and implied heat) and flicker suggest a sexual intensity and yet a kind of ominous destructiveness.
Shot with a cell phone.

Afeto, que pode destruir, também pode produzir consolo. O brilho intenso (e calor implicito) e pulsante sugerem uma intensidade sexual e ainda uma espécie de destrutividade sinistra.  feito com um telefone celular.

http://lesbellesimages.net/chapitres/premiere-hypothese/entretien-yann-beauvais?page=1

Son / Sound : Karlheinz Stockhausen + yann beauvais
affection exonérante 1affection exonérante 2

fin de partie

19 mars 2009, fin d’après midi, en reparcourant là rebours de la trajet de la manifestation de ce jour entre bastille et filles du calvaire.

filmé avec un portable

https://www.youtube.com/watch?v=VL7OIfPHQr4

March 19, 2009, late evening,
walking back along the path of a demonstration which took place that afternoon against the crisis and the Sarkozy’s governement policy.
Shoot with a cell phone
Capture d’écran 2014-11-04 à 10.13.39

WarOnGaza

WarOnGaza
En décembre 2008, dans la précipitation avant que le nouveau président américain soit en exercice, Israël se lance dans une nouvelle guerre en attaquant Gaza, sous le prétexte de roquettes tombées sur son territoire. Cette rupture de trêve répondait à une attaque d’Israël qui avait tué six combattants le 4 novembre 2008.
On ne peut donc parler de légitime défense comme s’en est prévalu Israël, mais bien plutôt d’une guerre contre Gaza. Comme le dit Richard Falk : « Cette approche visant à punir gaza était intrinsèquement criminelle : elle violait . »
Le film travaille plusieurs types d’images et de sons récupérer sur internet en les confrontant à quelques bandes de textes.
WarOnGaza 3

In December 2008, before the new elected President of United States become the President, Israel lauches an attack over Gaza, under the pretext of rockets fallen on its territory. This cease-fire rupture answered an attack of Israel which had killed six combatants on November 4th 2008.
One cannot thus speak about self defense as Israel prevailed itself about it, but well rather of a war against Gaza. Like Richard Falk says it: “This approach aiming at punishing Gaza was intrinsically criminal: it violates laws of the war and led to crimes against humanity.”
The film works several types of images and sounds to recover on Internet by confronting them with some tapes of texts.

volta ao longe

made  with Edson Barrus

Volta ao longe

A three-part film.

The first part, which is the longest, is a trip through a market (Ver-o-peso : ”see-the-weight”) in Belem, in the State of Para. Wandering through the different places occupied by this market on the banks of the Amazon : antique stores, a fish market, the sellers of fresh Açai and fruit pulp, a multitude of activities spread out in a constant flux of sounds and colors that the camera discovers without however becoming weighed down by them, as if the movements, the rhythm of walking as much as the length of the travel necessitated this tension between travel and seeing.
volta ao longe 3
The second part of the film takes place on an interstate highway which goes from Belem to Brazilia. Suddenly, traffic stops : a group of protesters block the road, no one can get away. These families have lived there for more than 30 years and they are on the verge of expulsion because of the enlargement of a plantation.

Tires are burnt on the highway, it’s more than 85 degrees. We get approach asking questions, going back and forth around the barrier. After an hour or two, the group decides after deliberation to put off its final decision until the 18th of September, the day of judgements and to break camp. We set off again.

The third part consists of a shot on the patio of a sorveteria (a kind of ice cream parlor) at the end of hot day, at the edge of a road parallel to the interstate which goes from the north to the south of Brazil. The light changes, activities enter a new phase, things slow down a bit. We take the time to watch, to observe a travelling meat seller. Nearby, there is some dried meat. People pass by, while cars with loudspeakers touting political candidates make themselves heard. A moment of respite, after all this activity, a respite at the edge of night.
volta ao longe 2

…desde 1504, já traficávamos pelo rio Paraguaçu com os nativos

… dès 1504, nous trafiquions avec les natifs sur le fleuve Paraguaçu                                     …since 1504, we were trafficking along the Parguaçu river with the natives

Filmé sur le fleuve Paraguaçu, en juillet 2007 et monté à Paris en mars 2008                         Filmed on the Paraguaçu river in July 2007, edited in Paris, March 2008. First version of a work in progress.
desde 1504, 1

desde 1504 2

, d’ailleurs

 co-réalisation Edson Barrus

d'ailleurs 1
Filmer la Sainte Victoire nécessite de travailler la matière autant que les durées selon des rythmiques particulières. C’est l’étendue du lieu, le rapport des masses et des couleurs qui déclenchent la juxtaposition des plans fixes et des prises longeant le flan de la montagne. D’autres plans captés lors de l’ascension de la montagne, ou lors de son contournement afin d’en voir, d’en saisir le plus grand nombre de facettes, sont plus mouvementés. N’y a jamais-t-il qu’une seule Sainte-Victoire? La lumière change constamment de jour en jour, autant qu’au fil de la journée. Elle sculpte la montagne et taille dans le paysage, elle lui confère son modulé et c’est elle qui divise en bandes verticales le paysage de la montagne, alors qu’elle la syncope quand on s’en approche ou l’arpente.
yann beauvais

d'ailleurs 2

Film réalisé dans le cadre d’une commande de K-Livres (Aix en Provence) et les 100 Talents (Tarabelle)

d’ailleurs, par Olivier Fouchard

La montagne d’abord,
Sainte-Victoire, d’ailleurs,
La montagne Sainte-Victoire, peinte par Cézanne,
Si souvent, opiniâtrement.
Bien plus tard… mais pas si tard, filmée par
Yann beauvais et Edson Barrus.
« d’ailleurs », un film donc, par E. Barrus et
Y. beauvais.
Cinquante trois minutes environ,
Une commande, un film à 4 mains,
(à plusieurs caméras ?) en 2006.
D’ailleurs, c’est un film d’aujourd’hui, (ou
d’un hier très proche), avec des couleurs et
du son, avec du cœur et de la sueur,
mais pas trop. Un film-vidéo d’impressions
et de surimpressions.
Fusions, simultanéités (cubismes). « Cézannismes » ?
Cézanne, donc, (son fantôme ?), à l’origine de ce
fameux cubisme, des transparences simultanées…
Surimpressions, Superpositions, Impressions, Expressions…
Sainte-Victoire
On tourne autour, on filme d’ici, de là, de « loin », de « près »,
zooms, on s’approche, on arpente, on gravit, on monte, on
grave.
L’ascension, une croix inversée aussi, par soucis de
provocations, par insouciance, plus peut-être que par
« blasphème » !?
Pour en finir avec la sainte de la victoire ?
Montagne donc, Mont, Monte, (Montage), « d’Ailleurs »,
ça n’est pas sans me rappeler « La montagne de Lure »
de Mahine Rouhi, autrement filmée, une autre montagne,
aussi…
Le travail sur le cadre, le travail du cadre,
L’image inversée, renversée, à l’endroit, à l’envers,
à droite, à gauche aussi dans les 2 films (celui de Mahine et celui d’Edson & yann).
« A l’italienne », « A la française », la gestion du format
rectangulaire en peinture et en photographie
(en photogravure, en sérigraphie etc… aussi, d’ailleurs).
Paysages, arbres, petits arbres, arbustes…
Des couleurs plus ou moins dominées et dominantes
Bleus, verts, ocres jalonnent les tableaux et les
films de Barrus & beauvais et de Cézanne aussi.
Surimpressions.
Toujours, les points de vues variés, en « filigranes »,
décalés, la montagne ici fêtée, vaincue, célébrée
(dominée et dominante) dans une agitation
d’aujourd’hui (bruits, moteurs, téléphones, voix
sons divers, pas, pressés, essoufflés, joyeux, enjoués,
complices, mêlés à la nature, aux oiseaux, aux insectes,
dans le vent…)
Routes, barrages, câbles, véhicules, parapentes,
la présence humaine, sa chaleur, mais aussi, l’industrie
du tourisme et des loisirs (culturels, cultuels…) omniprésente.
Le son du vent contre le micro : comme la membrane
d’un tympan irrité, d’une otite…
Plans fixes à la fin du film (en pied ?) de mémoire…
Une photographie, une peinture, une gravure lithographique ?
Un film
gravé de pixels et de lumière sur la toile-écran,
le moniteur, d’ailleurs, de montagnes…
Agencements renversés, renversants parfois,
presque de façons symétriques (d’un versant l’autre).
A la belle saison, sous la chaleur, le soleil chaud…
Non linéaire cette vidéo.
Vidéo de plasticiens filmeurs, d’ailleurs…
La part du hasard, aussi, l’accident puis la
réconciliation des points de vues…
Plasticiens monteurs aussi. Monter, démonter,
descendre, gravir, graver.
Gris bleutés, gris bleus, verts, jaunes, ocres jaunes,
« ocres verts », bleus verts, jaunes de chromes, sables
et terres, dorés, terres, roches, verts, minéraux, végétaux,
émeraudes, blancs…
Rapprochés (à deux), en corrélations, à nouveau,
Ajustements, bribes, voies, voix, paroles, présences.
Un chien aboie, des cigales chantent, des oiseaux
et toujours le vent froissant la membrane du micro.
Bruits de caméra, le vent, la membrane du haut-parleur,
bruts, des voies et des voix encore…
Entrelacs, tressages d’images, trames non-narratives
liés à une histoire pourtant, à des histoires.
Entrelacs, reflets, comme dans un lac (aujourd’hui sec),
mirages aussi.
Continuité discontinue et inversement.
Coupes. Fondus.
Hérésies du montage – monter -montage – montagne.
Déplacements pour certains, voyages pour d’autres.
Déplacements des filmeurs, voyages des spectateurs
et l’inverse aussi, encore d’ailleurs…
Marcher, arpenter, tourner autour toujours ; essoufflés,
obstinés, gravir, graver, gravier, crissements, téléphones,
chuchotements, rires, bises… brisures, fragments…
Se rapprocher, à pied, au zoom, s’éloigner aussi.
Silhouettes et ombres, incidences et coïncidences…
Végétal. Minéral. Animal…
Symétries, fausses symétries aussi, asymétriques, métriques.
Surimpressions (impressionnées) visuelles et sonores…
Roches, cristaux, cailloux, calcaire, rocailles, argiles et terres
Randonnées, promenades pour une ballade à plusieurs
(filmeurs – spectateurs etc…)
Puis le calme revenu.
Ça bouge moins vite, moins saccadé, moins venteux
Puis le calme rompu.
Un avion déchire l’apaisement chèrement acquis,
Ruptures, la montagne habitée, visitée, revisitée.
Images tremblées, ponctuées de symboles phalliques,
de compositions plus ou moins improvisées…
« d’ailleurs, » ou la sainte-victoire (revisitée) par Edson B.
et yann b., la montagne vidéographiée.
Le film en train de se faire, c’est aussi le film,
non linéaire, d’exposition, d’accrochages et, (aussi) un
Film de salles obscures, de cinéma aussi, d’ailleurs, … !

O.Fouchard, 03/2007
publié dans nos Contemporâneos, n°50, Barrus MAIMPRESSAOeditora, São Paulo, 2007
reproduit dans feuille de programme Scratch du 1 avril 2008

co-made with Edson Barrus 2006 minidv, color sound

d'ailleurs 9
To film Mount Sainte Victoire requires working the material as much as the durations of shots according to particular rhythms. It is the expanse of the site, the relationship of masses and colors that unleashes the juxtaposition of fixed shots with those that follow the contour of the mountain. Was there ever a single Mt. Sainte Victoire? The light changes constantly from day to day, as well as during the course of each day. It sculpts the mountain, hews our landscape ; it confers upon its modulation, divides the landscapes and the mountain into vertical strips, and gives it a kind of syncopation as one approaches it or survey it.

Film made with a grant from K-Livres (Aix en Provence) and 100 Talents (Tarabelle)
d'ailleurs 6

distribution :
Light Conehttp://www.lightcone.org/fr/film-4287-d-ailleurs.html